(Foto Internete)
Ah!
Essa escrivaninha
Simples
como eu,
antiga
e marcada
como marcadas estão
minhas
mãos e rosto!
É
sobre ela que deito
meus
papéis e livros
e ponho-me a ler
ou escrever.
Quantas
e quantas vezes
pestanejei
sobre seu madeiro
nas
solitárias madrugadas,
de
silencio quase absoluto
em
que teimosamente
esperava
por ela, a inspiração!
Seu
verniz gasto e já sem brilho,
É
o mesmo que a minha pele
Flácida
e opaca!
De
pernas enfraquecidas
E
sem prumo, como o meu caminhar!
Assim
mesmo, está comigo
Já
há muito tempo, minha escrivaninha
De
madeiro escuro, naquele cantinho
claro da minha sala de estar!
Até
a sua pequena gaveta,
repleta
de papéis;
versos
mal acabados,
esquecidos,
segredos...,
emperrada
está, como a minha
própria
memória!
Como
se vê, somos iguais em quase tudo!
Poderia
ter sido uma Viola,
Um
barco, uma cama ou uma janela.
Sim,
e até uma escrivaninha!
Mas,
por que escrivaninha?
A
bem da verdade;
Tenho
ali o som poético de uma viola.
O
barco das minhas imaginações.
A
cama das minhas paixões e desejos.
E
a janela das minhas paisagens..
O
que mais preciso eu
Se
não dessa síntese...
Dessa
escrivaninha
Antiga,
de madeiro escuro
naquele cantinho claro
Da
minha sala de estar?

