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segunda-feira, 24 de outubro de 2016










(Foto  internete)

Ode às Sabiás do meu vilarejo

De onde elas vêm
E para onde elas vão,
Não se sabe!
Só uma certeza;
Todo ano elas retornam!

Cortando a bruma
Silenciosa da madrugada
Ouve-se então o seu cantarolar.
Ninguém ficará sem alvorada
Ninguém acordará mau-humorado.

Todos nós já as esperávamos!
Até as ramas camarinhas
Das velhas figueiras...
São elas que retornam
Mais uma vez
Nas asas de setembro!

Entre gorjeios maviosos
Vão tecendo seus ninhos
Criando suas proles
Queira o céu grávido de nuvens
Ou infinitamente azul.

Ah! Quem dera a liberdade de suas plumas
A sonoridade do seu coração!
Mas, me atrevo a falar de um privilégio:
É eu poder ouvi-las e assisti-las
Daqui da minha janela!

São aquelas do peito alaranjado
E olhar rápido, no prefácio da primavera!
E carregando o ar de sonoridade
Nos enche de humanidade
Desde a púrpura da matina
Até o ouro da tardinha!

Preciso ouvi-las mais intensamente
Pois não demora, batem asas
Levando sinfonias e  proles
Porque suas visitas
São o tempo de um arco-íris,
O tempo de um haicai!

Ainda um prefácio melodioso se ouve
Voando para algum desterro?
É assim, sempre assim,
Como chegam, desaparecem.
Retornarão as mesmas?
Estaremos nós aqui, para mais uma vez
Vê-las e ouvi-las?

A única certeza é que sempre ao partirem
Deixam pobre meu vilarejo
E o meu coração pesado e triste
Como o cantar de um realejo!



  De: Alberto Lobo de Campos - Heterônimo de José Alberto Lopes®
21 out. 2016

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