Pesquisar este blog

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Ode à Minha Escrivaninha







(Foto Internete)

Ah! Essa escrivaninha
Simples como eu,
antiga e marcada
como  marcadas estão
minhas mãos e rosto!
É sobre ela que deito
meus papéis e livros
e ponho-me a ler 
ou escrever.

Quantas e quantas vezes
pestanejei sobre seu madeiro
nas solitárias madrugadas,
de silencio quase absoluto
em que teimosamente
esperava por ela, a inspiração!

Seu verniz  gasto e já sem brilho,
É o mesmo que a minha pele
Flácida e opaca!
De pernas enfraquecidas
E sem prumo, como o meu caminhar!
Assim mesmo, está comigo
Já há muito tempo, minha escrivaninha
De madeiro escuro, naquele cantinho
claro da minha sala de estar!

Até a sua  pequena gaveta,
repleta de papéis;
versos mal acabados,
esquecidos, segredos...,
emperrada está, como a minha
própria memória!
Como se vê, somos iguais em quase tudo!

Poderia ter sido  uma Viola,
Um barco, uma cama ou uma janela.
Sim, e  até uma escrivaninha!
Mas, por que  escrivaninha?
A bem da verdade;
Tenho ali o som poético de uma viola.
O barco das minhas imaginações.
A cama das minhas paixões e desejos.
E a janela das minhas paisagens..

O que mais preciso eu
Se não dessa síntese...
Dessa escrivaninha
Antiga, de madeiro escuro
naquele cantinho claro 
Da minha sala de estar?





 De Alberto Lobo de Campos, heterônimo de José Alberto Lopes®
21/out. 2016

Nenhum comentário:

Postar um comentário